De novo e, de novo e, mais uma vez.

E ao acordar, em alguns segundos a imagem retorcida do seu rosto formou-se nos meus pensamentos. Talvez fosse humanamente impossível reconhecer algo ou alguém naquela imagem, mas pra mim não havia dúvidas, era você. Não poderia ser outra pessoa, não haveria lugar para outro ser em meus pensamentos. Por diversas vezes me pus a esfregar minhas mãos no rosto com o intuito de, não apagar, mas esconder aquela imagem, em vão. Mais algumas tentativas, nada. Desisti. A intenção era repassar o sonho da noite passada, lembrar os detalhes minuciosos, mas eu não podia brigar com minha própria mente, seria inútil. Continuei lá, sentada na cama, quase que imóvel, com seu rosto tatuado em minha mente. Eu não queria sair, mas também não queria ficar. Na verdade, eu mal sabia o que queria. Não, eu sabia exatamente o que eu queria. Queria olhar pro lado e encontrar você, deitado. Queria poder observar seu sono, tentar descobrir seus sonhos, decifrar seus gestos. Eu queria você, simples assim. De repente, sem meu consentimento, uma lágrima se formou nas pálpebras do meu olho, o esquerdo primeiro, logo depois o direito. Alguns segundos depois elas escorreram. Haviam ganhado mais força depois de libertas. E, agora, estavam no canto da minha boca. Um rápido suspiro foi o suficiente para que elas penetrassem por entre meus lábios e se misturassem nas células da minha língua, fazendo-me sentir o gosto amargo delas, um gosto obscuro, doloroso, gosto de tristeza. Mais duas lágrimas, agora mais fortes que nunca, com mais velocidade que nunca. Mas essas não faziam paradas, iam direto pro fim do rosto, escorriam pelo queixo e gotejavam no resto do meu corpo. Uma delas foi mais desgarrada, mais abusada, foi direto no peito, bem sobre o coração. Foi então que a imagem do seu rosto se perdeu na minha memória e, como um filme, as cenas daquele sonho vieram me confortar. Lá estávamos nós, juntos, unidos em um só corpo. E, mesmo que eu ainda não pudesse lhe ver, mesmo que a sua imagem ainda estivesse retorcida e distante demais, eu sei que era você. Então, o coração se acalmou, as lágrimas se foram e o sono voltou. Eu me deitei novamente, abracei o cobertor e fechei os olhos, dormi. Não por cansaço, e sim para encontrá-lo novamente nos meus sonhos. Pois somente lá eu posso sentir você. Por enquanto!

2 Eu acho que:

BeatrizRangel disse...

Viajei, chora me liga. Ficou ótimo, bjs.

Sá. disse...

Meu preferido!

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