É etranho +1

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"Não te contar meus planos. Não te encontrar"


Houve uma época em que estávamos em plena sintonia. Em que nos comunicávamos sem troca de palavras. Naquela época eu pertencia a você e você pertencia ao mundo, como sempre. Eu era totalmente solícita, entregue até o último fio de cabelo. Mas você era contido, controlado. Isso não é um lamento, tampouco crítica. Eu gostava do seu jeito de ser e agir. Eu gosto. Eu desejava conquistar o mundo ao seu lado. Você só queria um espaço 100x100 que coubesse todas as nossas (poucas) coisas. Éramos pessoas diferentes com pensamentos iguais, sentimentos idênticos e atitudes parecidas. Como pode? Não sei. Só sei que “eu e você” não existíamos. Nós! Era como costumávamos nos classificar. Eu desenhava um futuro para nós e você, mesmo com seu jeito pé no chão até o fim das contas, me ajudava nos mínimos detalhes. Como eu disse, éramos diferentes, com gostos diferentes, desejos diferentes, anseios diferentes, mas quando estávamos juntos, compartilhávamos tudo e tudo se tornava igual e agradável a ambas as partes. Mais amigos que amantes, assim nos entediamos sem a necessidade de cobrança, ou desentendimento, ou queixa, ou arrependimento. Éramos felizes, muito felizes, mais felizes que todos. E nos orgulhávamos disso.

Hoje, o modo como escrevo sobre a vida mudou. O contexto está tão singular, tão pretérito imperfeito.

O pronome pessoal reto "eu" precisa do pronome pessoal reto "tu" para formar o pronome pessoal reto "nós".

É estranho.

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Falando em trilha sonora, fim de semana e músicas melancólicas...
Também achei entre os tantos CDs de minha tia, um CD duplo com os maiores sucessos do Natiruts. Reggae sempre me agradou, mas no ano passado em especial eu estava totalmente reggaeira. Tudo porque o menino-lindo-dos-meus-sonhos curtia reggae. Cheguei a gravar um CD em MP3 só de reggae, e não era pouca coisa não. Vou admitir, eu adorava meu CD. Ouvia todos os dias e, ah, eu amava demais. E sempre tinha o que conversar com meu amor platônico, mesmo que quase nunca o assunto "reggae" fosse o mais longo ou o mais interessante. Enfim, eu viciei em reggae porque reggae me fazia lembrar o meu maior vicio. Agora, depois de uma sessão de nostalgia, lembrei de como era divertida a minha vida, e de como eu reclamava dela sem motivo. O meu CD certamente está perdido entre as minhas bugigangas que pra nada prestam, mas guardo como recordação. Valor sentimental, sabe qualé? E o menino-lindo-dos-meus-sonhos deixou que eu fizesse parte da vida dele, depois permitiu que eu tivesse um papel importante na mesma, e, após alguns acontecimentos que prefiro não comentar, passou a me ver como uma vadia podre. Hoje somos menos que amigos, menos até que colegas. Aliás, aposto que nem nos reconheceríamos na rua.

O mundo dá voltas.

Trilha sonora da minha vida.

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Nesse fim de semana resolvi procurar, entre as tantas pilhas de CDs que minha tia possui alguns que me agradassem por completo ou que tivessem ao menos uma música legal. Fui lendo títulos e cantores, música por música, até formar a minha própria "pilha" de preferências. Logo me dei conta de que mais da metade dos CDs escolhidos eram de MPB e afins. Cássia Eller, Marisa monte, Marina Lima, Vanessa da Mata, Jorge Versilo, enfim, só gente de categoria. Sabe essas músicas que você ouve desde pirra, que grudam na sua memória para nunca mais sair? Então. Mas, comigo a coisa é mais intensa. Marisa monte me fez chorar com todas aquelas declarações para seu mais-que-perfeito amor que nunca se acaba. Cássia Eller aumentou a intensidade das lágrimas admitindo que mesmo após o término de seu amor, ainda ama. Jorge Versilo me fez refletir quando cantou sobre a vida rotineira à dois. Vanessa da Mata me fez lembrar de bons tempos que tive. Bons tempos. E Marina Lima? Po, Marina Lima é MARINA LIMA!

Posso fazer planos com você?

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Você pode até mudar ou talvez eu mude. A gente podia um dia acordar e ver que não existe mais motivos pra tanta coisa. Mas enquanto isso, por um instante, posso fazer planos com você? Mesmo que você suma amanhã, me troque, me esqueça, posso falar de futuro?

Não pense que sou um cara desesperado ou ingênuo. Eu apenas quero dividir tudo que puder com você, enquanto esse momento existir. Pode parecer sem lógica falar onde jantaremos quando completarmos 3 anos juntos. Mas não tem problema. Eu quero que seja só isso. Coisas ditas sem pretensão, num sábado a tarde, com a tv ligada em qualquer canal, só pela preguiça de mudar de canal. Segredos ditos entre uma cochilada e outra, no meio de um almoço ou durante um abraço no lençol. Quero pensar em nomes pra os nossos filhos, imaginar a nossa sala, nosso jardim.

Imaginar quantos quartos terá nossa casa, como vai ser a cozinha, parece idiotice. Mas é tão bom planejar tudo com você, saber o que você pensa sobre as maiores inutilidades do mundo. Quando eu perguntar se vamos acompanhar as Olimpíadas de 2016, diga que sim, por favor, sem nem perguntar onde vai ser. Nem eu mesmo sei onde vai ser. E tudo bem se até lá mudarmos de idéia. O importante é que agora você queira estar lá comigo em 7 anos. Ainda que em 5 anos desista.

Eu quero discutir a raça de cachorrinho vamos adotar. Se é que vai ser um cachorro e não um gatinho. Decidir qual rosas plantaremos no jardim ou se a sala deve ter uma televisão. Eu voto em não. E você? Pode falar, fala vai. Sem medo de parecer besta.

Sentir saudade dos planos que nunca se realizaram é uma das coisas que mais doem quando tudo acaba. Mas prefiro isso a não poder brincar de futuro com você.



Por: Vinícius Pordeus

"Esse sim é p'ra você"

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Gracinha.

Que saudades dos seus poemas sobre o mar, das folhas com gosto de amanhecer de sábado, do fiapo de luz que sua garganta derramava telefone adentro das minhas orelhas trêmulas, abstinentes. Que é a voz dos anjos, dos recitais e das graças de joelhos num altar? Bem podia ser para mim tudo isso - a pequena, a teimosa, a mentirosa, a reticente e a tímida-demais-para-ser-genial. Poupa palavras porque o sonhar jamais erra. Uns olhos de água que tornam a criar reflexos à sua presença que não morrerá de todo.
assim simples: não.
Dentro [pedaço de carne por pedaço de carne] de uns poucos 50 anos, estaremos num banco rodeado de passarinhos bucólicos, completamente fora de moda. Vou olhar-te demoradamente, menos por sensualidade que por má visão e sibilarei meu veneno:

-- Amei-te a primeira vista.

Porque qualquer dia desses a gente vai ser tão feliz que você não vai sentir necessidade de escrever o que existe de você em tantas pequenas paixões; a gente vai ser tão alegre que eu nunca mais vou sentir tristeza por ter sido atendida ao gostar de você como eu sempre quis gostar de alguém.


Autora: Helena Carreço.
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Vibrações e um som abafado saem de baixo do travesseiro. Ao som de The Ting Tings, o despertador começa a tocar. Automaticamente, levantei somente a cabeça e localizei o celular, desliguei. Esperei alguns minutos, ainda na cama, até retomar totalmente a consciência. Ainda passeavam em meus pensamentos as cenas do sonho que o despertador interrompeu. Nada de muito interessante. Talvez fosse um daqueles sonhos com significados, talvez eu devesse pesquisar pra saber do que se trata. Dez minutos se passaram, eu ainda imóvel. Pensei em levantar, segunda feira, escola, argh. Logo me lembrei de que não teria aula e me xinguei por ter esquecido de reprogramar o despertador. Agora eu estava quase que totalmente desperta. Eram cinco e treze da manhã e eu não queria mais dormir. Peguei meu celular novamente, alguns apertos nas teclas até encontrar minha play list preferida. Eu não queria uma música em especial, então deixei que as músicas tocassem aleatoriamente. Concentrada nas letras, tentando não pensar em nada mais. Cantarolei alguns trechos, alguns refrões. Minutos a mais se passaram, e então comecei a imaginar a música sendo tocada, ao vivo, enquanto eu curtia deitada na minha cama. Meio louco, eu sei. Mas foi bem interessante ver Marcelo Camelo cantando A Outra. Logo percebi que a cena que eu via eram as mesmas do DVD que a pouco ganhei. Eram apenas lembranças de clipes, e não cenas criadas por mim. Que droga. Nem no imaginário eu consigo ser competente. Virei para o lado e senti a cama maior que de costume. Não me importei, o que foi estranho. Mais algumas tateadas na cama e, então, encontrei o que procurava. Apoiei o braço e me aproximei mais, quase juntando meu corpo àquilo que eu queria me aninhar. De repente a música mudou. Ao som de The Ting Tings, o despertador começa a tocar. Novamente? Automaticamente, levantei somente a cabeça e localizei o celular, desliguei. Esperei alguns minutos, ainda na cama, até retomar totalmente a consciência. Ainda passeavam em meus pensamentos as cenas do sonho que o despertador interrompeu. Tão real que demorei a perceber que fora sonho. Lá estava eu, apoiando meu braço e aninhando meu corpo em algo que jurava ser ele. Segurei a lágrima que teimava em escapar, fui mais forte que ela. Acariciei o pelo do meu cachorro de pelúcia e disse: Desculpa por isso, Teddy.

Achados e perdidos.

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Minha pequena pediu-me um pouco de liberdade. Sentia-se presa demais, sufocada demais. Queria respirar novos ares, provar novos sabores. Eu tive medo, admito. Tão frágil, tão pequena, tão exposta, tão minha. Como poderia eu deixá-la partir? Ela, então, prometeu não ir muito longe. Disse-me que iria somente até onde meus sentidos pudessem alcançá-la. Mesmo assim, hesitei. Então ela – já cansada de minha super proteção – perguntou-me: “Não confias em mim?” Nela eu sempre confie. Não confiava no mundo que ela desejava explorar. Deixei-a ir quando percebi que só assim arrancaria de sua face aquele lindo sorriso que a tanto eu amava. Afastou-se lentamente do campo protetor que eu a mantinha, dizendo-me que não se demoraria. Quanto mais a distância entre nós aumentava, mais apertado ficava meu coração. E quando, de surpresa, ela dobrou a esquina, senti de imediato o vazio sufocar-me. Perdi minha pequena em algum beco sombrio. Se achá-la, por favor, devolva-me a vida.